segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Prefeito de Ribeirão Bonito discute com sindicalistas e é acusado de ameaçar e intimidar servidores públicos

Chiquinho Campaner e dirigente sindical participaram de embate ao vivo em rádio; Sindicato acionou o Ministério Público do Trabalho 

Marcel Rofeal, de Ribeirão Bonito 

Fotos: Marcel Rofeal/BMR
Uma polêmica envolvendo o prefeito de Ribeirão Bonito, Francisco José Campaner (PSDB), ganhou a atenção dos moradores nesta terça-feira (24). Chiquinho se envolveu em um bate-boca com dirigentes do Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (Sismar) na noite de segunda-feira (23) e foi acusado de intimidar e ameaçar funcionários presentes à assembleia sindical. O prefeito, que nega as acusações, diz que o Sismar quer incendiar o funcionalismo.

A denúncia foi publicada por um dos diretores do sindicato em uma rede social. Marcelo Roldan relata que quatro diretores da entidade aguardavam o início da reunião junto a cerca de 20 servidores quando teriam sido surpreendidos pelo prefeito. “Um senhor grisalho chegou apontando o dedo na cara dos servidores e, aos gritos, começou a dizer que quem fosse atrás do sindicato iria se prejudicar e ficou gritando com todos os presentes aleatoriamente e insistindo nas ameaças”, disse.

Segundo ele, que afirma ter gravado a situação com o celular, o prefeito teria tentado tirar o aparelho de suas mãos antes de se retirar. “Me apresentei como diretor do sindicato, ele então disse que não nos devia satisfação, virou as costas e saiu esbravejando e gesticulando”, afirmou. Roldan ainda disse que havia recebido mais de 20 queixas de assédio, ameaças e humilhações, e que o caso será levado ao conhecimento do Ministério Público e do Ministério Público do Trabalho.

Procurado, o prefeito de Ribeirão Bonito nega acusações de intimidação e ameaça. Chiquinho confirma que passou pelo local e, devido à grande concentração de funcionários públicos, parou para questionar o que acontecia. Informado sobre a assembleia sindical, o prefeito afirma que orientou os servidores a tomarem cuidado, pois, segundo ele, a categoria não havia sido beneficiada em nada pelo sindicato. Ele ainda afirma que o Sismar quer apenas incendiar a categoria.

De acordo com Campaner, quatro diretores da entidade teriam tentado o intimidar, um deles gravando a situação com um celular, e afirma ter sido chamado de coronel. O prefeito teria rebatido as acusações e chamado os dirigentes sindicais de comunistas e vagabundos. Ainda de acordo com o prefeito, não há condições de atender às reivindicações da categoria por reajuste salarial, como protocolado na tarde desta terça na Prefeitura, devido à situação econômica do Município.

Chiquinho ainda salientou que, desde a posse, tem adotado medidas de contenção das despesas para reequilibrar as contas públicas e disse que não há condições de discutir reajuste salarial aos servidores públicos diante das dificuldades financeiras da administração, que já enfrenta problemas para cobrir a folha de pagamentos. Na manhã de quarta-feira (25), o prefeito e um dos dirigentes do sindicato que se envolveu no episódio voltaram a falar sobre o caso em uma entrevista.

Questionado acerca da veracidade das declarações de dirigentes do sindicato, o chefe do Executivo de Ribeirão Bonito reafirmou ter parado no local sem saber do que se tratava e disse que alertou servidores quanto à atuação do Sismar. O prefeito destacou as dificuldades financeiras do Município, com atrasos na folha de pagamento e arrecadação em baixa, e disse que os sindicalistas estariam tumultuando sua administração. O representante do sindicato negou a afirmação.

Segundo Marcelo Roldan, que apresentou sua versão dos fatos, a entidade chegou a Ribeirão Bonito em meados de 2012, acionada pelo funcionalismo público para defender os direitos da categoria em meio à polêmica proposta de reforma administrativa aprovada pelo Legislativo no fim daquele ano. Ele ainda afirma que, desde então, sempre houve diálogo com a administração, durante os mandatos de Paulo Antonio Gobato Veiga (PTB) e de Wilson Forte Júnior (PMDB).

Roldan ressaltou que o Sismar denunciaria o prefeito Chiquinho junto ao MPT, o que ocorreu na última quinta-feira (26), e que o acionaria também na justiça comum. Já o prefeito, em tom irônico, disse ter ficado emocionado com o relato e que “quase chegou às lágrimas”. Campaner recusou qualquer tipo de diálogo com o sindicato e disse que irá conversar diretamente com o funcionalismo público, mas que sua prioridade é deixar em ordem a situação financeira do Município.

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